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Vem à Janela

Vem à Janela

16
Fev21

Produtividade em tempos de confinamento

Carolina Novo

Calma.jpg

Quis a vontade de ser produtiva acordar-me a horas de gente trabalhadora. Passar uma água (temperatura caldo!) pelo corpo ainda adormecido e vestir a calça de ganga e a blusa catita. Porque do quarto para a sala, há gente que se cruza comigo no corredor e há que estar em bom! Cheia de ânimo, sentei-me à mesinha da sala pronta a passar a pente fino todos os afazeres anotados no meu post it amarelo. Que se mantenham as tradições de quando éramos gente de contacto e afectos sem barreiras nas faces e munidos de álcool gel que nos secam as mãos. Mas aí, ah, aí eu andava de bota pelas ruas de Lisboa! A pantufa no soalho de casa, não é bem a mesma coisa. Já vou na terceira obrigação deste dia madrugador e aquela questão diariamente persistente não me deixa avançar para a quarta, interrompendo-me. "O que é que vamos almoçar hoje Carolina?". A secção dos congelados fica a dois passos e da segunda gaveta espreita um linguado que já prevejo ser a próxima vítima, depois de mim. Sim, que isto de pensarmos em comida hora sim hora sim definha-nos!

Volto à cadeira do costume, já aquecida, mas nunca sem antes passar os olhos pela vista da janela. Que calmas estão as águas. Só no andar de cima é que as emoções se agitam, qual marmoto. Porque ela é isto e ele é aquilo, porque ela não deixa e ele também pouco se cala. São dez minutos deste fandango por cima deste meu cantinho ensolarado. E eu que já estou com um pé na quarta obrigação e não há meio de avançar. Faz-se silêncio e a agitação das águas está controlada. Cheira-me a pão torrado e agita-se-me a gula. Vou, não vou, vou, não vou.

Agarrei-me ao pão com queijo enquanto desfilo de pantufa de regresso à sala. Hei-de chegar ao desconfinamento com mais umas quantas gramas no lombinho e aí, hei-de depositar total confiança no body pump, os agachamentos e aulas de step do Anderson Vidanova. Hei-de!

 Mas até lá, até lá preciso de afecto que me preencha.

O prognóstico? Só no (possível) último dia deste nosso querido confinamento.

Carolina Novo

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