Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Vem à Janela

Vem à Janela

13
Jan22

Pôr do sol

Carolina Novo

Depois de tantos dias em casa, finalmente revejo as ruas, agora de perto. Ouço as vozes dos que por mim passam, deixo-me envolver nos cheiros citadinos desta Lisboa de Janeiro. Recordo a última saída, naquele primeiro dia do ano. Percorrera a marginal de carro, janela entreaberta, para que o ar não se cansasse de mim e eu dele. A brisa que se fazia sentir pedia que me aconchegasse, agitando-me alguns dos cabelos soltos que me batiam levemente no rosto. As águas, de um azul imenso, de rio passavam a mar, a oceano mais adiante, sem que os meus olhos se cansassem de as ver e contemplar. Que bom começar o ano assim, com vistas bonitas. A estrada enchia-se de outros tantos sedentos, como eu, de liberdade, de sol na pele já pálida pelos meses de frio com a chegada do inverno. Admiravam a paisagem, as pessoas que passavam, caminhantes, pelos passeios, os que corriam dando início a mais um ano sem descurar o cuidado com o físico. Sentada no carro, fazia a digestão de uns petiscos de marisco para primeira refeição dos trezentos e sessenta e cinco dias que chegavam. Pousava os olhos aqui e ali, locais de passagem por onde o tempo passara deixando apenas meras recordações do que foi. Prendem-me a atenção os corajosos que no primeiro pedaço de praia se aventuram mar adentro. Abraço o meu casaco, sinto um arrepio só de os ver ali, pele ao descoberto, imersos nas ondas, rostos ao sol, sorridentes. Sorrio também, avançando na marcha lenta pela marginal. À frente, Carcavelos e as primeiras ondas do ano, os mesmos surfistas de sempre. No areal, pequenos grupos aqui e ali, sentados, contemplam-nos, alimentando conversas que se hão-de estender até que o sol se ponho. Passo por Cascais mas tenho pressa. De chegar ao Guincho e sair do carro. Sentir o fresco do vento que agita tudo à sua passagem, de sentir as bochechas do rosto arrefecem. De aproveitar cada minuto daquele sol que se põe à minha frente como um presente, sem que o tenha pedido ou planeado. Aconteceu e foi absolutamente maravilhoso. Nesse dia regressei a casa, agradecida e feliz.

Hoje aconteceu-me exactamente o mesmo. Foi como um pôr do sol, rever as ruas e sentir Lisboa.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Sobre mim

foto do autor

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Carolina Novo

    Muito obrigada pelas palavras Sandra! É sempre tão...

  • Sandra

    Adorei esta partilha, senti-me a passear pelas rua...

  • Carolina Novo

    Sem dúvida Francisca!A muitos dias desses!

  • apenas fluir

    São esses dias que preenchem a alma! Beijinhos

  • Carolina Novo

    Fico muito feliz por ler as tuas palavras Maria! m...

Arquivo

    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub