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Vem à Janela

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17
Mar22

De olhar pela cidade

Carolina Novo

Tenho um gosto particular por me passear pelas ruas, seja de onde for, e observar quem por mim passa. Com quem o meu olhar se cruza e tantas vezes pára, admirado. Sentar-me numa mesa de um café e conceber-me uns minutos que sejam sobre alguém que conversa, alguém que se demora nas páginas de um livro, um jornal que seja, ou a alguém que se dedica, por tempo indeterminado, a dois dedos de conversa boa no balcão da padaria. Aquela de esquina onde também eu, de vez em quando, paro nesse mesmo balcão para comprar quatro bolachinhas com pepitas de chocolate. Sabe-me bem olhar para as pessoas e imaginar as suas histórias e as minhas histórias tendo-as por inspiração constante. A forma como seguram num cigarro e o fumam pausadamente apreciando a paisagem citadina, os carros que circulam apressados, vagarosos também, parando para um breve aceno aos rostos conhecidos. As crianças, pelas mãos dos mais velhos, que saiam a conta gotas da escola na rua sem saída. Um alvoroso de vozes e sorrisos e protestos tantas vezes naquele portão. Gosto particularmente quando me passeio pela baixa da cidade, longe do curso habitual dos meus dias, e a minha inspiração tem tonalidades variadas. Ruas repletas de turistas, sotaques vários, tons de pele, de cabelo e de olhos também que contrastam com o que os meus se habituaram a ver pelas ruas da minha Lisboa. As lojas da Augusta, os cafés da Garrett, o eléctrico que passa e que, se falasse, tantas histórias contaria! subo ao Largo Camões e vejo o Tejo, ao fundo da rua do Alecrim. Recordo, por breves instantes, o meu tempo de estudante. Sorrio e desço a rua, em direcção ao rio. Hei-de me sentar na Ribeira das Naus e inspirar-me nos que passam de mão dada, nos que partilham duas cervejas ao final de um dia cansado, nos que se passeiam de bicicleta, empoleirados numa trotinete do Terreiro do Paço ao Cais do Sodré. Naqueles que pura e simplesmente apreciam a vista para a outra margem, deixando-se estar ali, com os olhos postos nas águas que se agitam à passagem dos barcos.

Tenho um gosto particular em me deixar estar também e contemplar a vida da cidade de Lisboa.

Ou outra que me prenda o olhar tanto como ela, querida cidade.

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  • Carolina Novo

    Muito obrigada pelas palavras Sandra! É sempre tão...

  • Sandra

    Adorei esta partilha, senti-me a passear pelas rua...

  • Carolina Novo

    Sem dúvida Francisca!A muitos dias desses!

  • apenas fluir

    São esses dias que preenchem a alma! Beijinhos

  • Carolina Novo

    Fico muito feliz por ler as tuas palavras Maria! m...

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