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Vem à Janela

Vem à Janela

31
Dez21

O último dia do ano

Carolina Novo

Hoje não me demoro na reflexão dos 364 dias que passaram. No que me trouxeram de bom, de menos bom também e nos desafios e momentos verdadeiramente felizes por que foram recheados. Não, não. Hoje eu acima de qualquer coisa agradeço. Às pessoas, pelas palavras, pelos conselhos, pela disponibilidade, pelo tempo que me dedicaram. Aos desafios que me olharam de frente e que, da melhor forma que consegui, ultrapassei, seguindo a caminhada. Por vezes, confesso, achei que me faltava a capacidade, a maturidade. Quando se é humano é-se feito de fragilidades. Mas de humildade também, assim se espera. Agradeço pela sorte que tenho nos que tenho comigo e do bem que me fazem. Mas isso, é gratidão diária, interior e proclamada em palavras dedicadas para que saibam como são importantes. Porque o melhor que guardamos connosco vem tanto dos que connosco caminham. Sou muito grata. Mas quero ser ainda melhor, para mim e para os que me são queridos. E esse, é o desejo e o desafio que levo para os próximos trezentos e sessenta e cinco dias que chegam desta maravilhosa caminhada.

30
Dez21

Começar de dentro

Carolina Novo

Considero que nos falte tantas vezes a noção de que, em poucas palavras, mudanças maiores ganhem força para um primeiro passo. A forma como são ditas, a quem são ditas. Dando de comer às nossas frustrações interiores, aos nossos bichos papões ainda por resolver, depositamos nos outros uma carga imensa mudando-lhe tantas vezes um dia, uma ideia, um percurso e muitas vezes a vida, arrisco dizer, em segundos de palavras proferidas. Falta-nos a noção. De que do outro lado existe alguém a quem o peito bate como nos bate também, que traz consigo sonhos e anseios de dias felizes. Na bagagem, outros tantos menos sorridentes, é certo. De altos e baixos são feitas as horas, os dias, as semanas e os meses, os nossos e os daqueles que por nós passam. Assisto (ainda!) a muitos olhares com foco no umbigo e pouca tolerência, consigo mesmos e, como seria de prever pela ordem das ideias, com os restantes. Falta-nos aquela palavra bonita de que tanto se fala mas tantas vezes pouco se pratica. Empatia. E se fossemos mais de elogios do que de críticas na ponta da língua? E se fossemos do atrevimento da palavra mas com teor construtivo? Se cuidássemos da entoação com que partilhamos as ideias, os pontos de vista, os conselhos que tantas vezes caem por terra pela forma atabalhoada com que nos saem da boca? As palavras querem-se quentes, afectuosas e sinceras, acima de qualquer condição. Mas para que isso aconteça, comecemos por dentro, por nós. Quero crer que o nosso tempo era tão mais feliz e os que fazem parte dele também!

Hoje dei por mim a pensar nisto e apeteceu-me partilhar. 

29
Dez21

Caminho

Carolina Novo

               20211229_141129.jpg

No rosto o ar fresco de mais uma manhã que chega, mais um dia que começa. Quando saio à rua há qualquer coisa de bonito que me enche o peito com cheiro a nova oportunidade de fazer valer as vinte e quatro horas que tenho pela frente. Caminho, de sorriso leve na expressão que trago e aprecio tudo aquilo que me rodeia. O meu olhar saltita, curioso, de árvore em árvore, pousando nos arbustos de formas diferentes, de cores diferentes. No chão que os meus pés pisam, uma paleta de tons quentes misturados com os frios da folhagem intacta pelo tempo de menor calor. Os amarelos, os castanhos, os verdes claros, os mais escuros e pequenas pinceladas de tons rosados delineando as flores que surgem, de onde em onde, por entre a vegetação. Paro e contemplo. O corpo tem-me pedido natureza, e a minha vontade também. Sob as pequenas folhas outrora caídas, pequeninas gotas das chuvas da madrugada destacam-se, transportando-me, de repente, para um mundo imaginário. Fotografo tudo e tudo guardo comigo em pequenos registos. Apetece-me pintar e da cor no papel a tudo o que vi numa manhã de caminhada. Imagino-me com uma folha branca, só para mim, onde pudesse contar por traços, texturas, cores sem fim tudo o que vi e me espantou de bonito que era. Os cheiros, esses, daria a liberdade a cada um que escolhesse os que mais lhe apetecesse. Chocolate, baunilha, limão de fresco que é. Talvez a campo, a chuvas de inverno,a terra molhada. Regresso a casa de sorriso leve no rosto.

Amanhã regresso para me deixar espantar.

28
Dez21

Amor próprio

Carolina Novo

Fecho a porta atrás de mim e coloco os fones nos ouvidos. Entro no elevador iluminado, solitário. Com as escolas fechadas, volto às manhãs calmas, com tempo que me sobra para matar saudades do tanto que gosto de fazer. Volto às minhas caminhadas, mergulhada em música, podcasts variados e muitas vezes silêncio, dando espaço à natureza para que me fale também. Agora que tenho tempo, escuto-a e dou por mim a pensar em como andamos tão absurdamente distraídos com uma quantidade de coisas acessórias que em quase nada nos acrescentam. Pelo contrário, embreagam-nos a mente e desfocam-nos ligeiramente do que tem valor e nos merece tempo dedicado. Sei lá, por exemplo eu mesma. A quantidade de vezes que num monólogo comigo mesma constato os "nãos" que me digo, a prioridade que não me dou, as desculpas com que me justifico quando o que de maior valor tenho sou eu mesma. E não me levem a mal, não me leiam na arrogância que não procuro ter nas palavras que escrevo. Porque escrevo de mim para mim numa tentativa sugestiva de me acordar, de te acordar também. Caminho cinco, seis voltas, atenta aos sons que me rodeiam, às palavras que escuto e que ecoam vezes sem conta na minha cabeça. Sinto cada uma como um abre olhos, uma leveza até. Uma hora e meia de uma conversa que escutei até ao fim, que me trouxe leveza e me deixou a pensar em como nos devemos fazer prioridade, sempre.

Fiquei realmente pensativa. Talvez seja porque numa mão se contam os dias para que o novo ano chegue. Cheio de novas oportunidades, de mãos cheias de sonhos, de mudanças promissoras. À meia noite, os copos encher-se-ão, erguidos ao alto, num brinde cheio de esperança para um novo começo que se aproxima, onde o amor se quer palavra de ordem o ano inteiro. Mas que no próximo, nos 364 dias que nos são oferecidos, não nos esqueçamos um único dia que a pessoa mais importante da nossa vida está realmente em nós.

Sou eu e tu também.

27
Dez21

Lisboa

Carolina Novo

Passei por ti. Caminhando, de olhos postos nas tuas luzes, nas tuas pessoas e outras que convidas a que te visitem, que te encham as ruas e as avenidas. Percorri as tuas calçadas da rotunda maior, entre árvores, bancos, grupos de vozes que se ouviam, atropelavam, interrompiam em gargalhadas e vi como te puseste bonita para a época. Brilhante, elegantemente vestida com adereços que pendem do alto e avivam os olhos dos que passam. Desci às tuas rugas de cidade, as minhas preferidas, e olhei lá no alto a tua fortaleza imensa de significados, recordações e histórias contadas, registadas. Imersa num sorriso or te ver assim, desci-te de carro, senti-te a pé também. E na tua praça de frente para o rio que nos banha, cidade de luz, vi-a luminosa, personagem principal num palco privilegiado onde a namoram, a fotografam, se fotografam com ela. Um magote de gente encasacada, gorro sob a cabeça, bota no pé, só para te vir, árvore de natal. As motas, a concentração de motas, não esqueço, que desfiaram em direcção a ti e te escolham como paragem obrigatória. Porque enquanto estiveres em cena, prendes toda a atenção. Deixei-me ir, levada pelo ar cativante com que te puseste, e esqueci as multidões, o trânsito, a confusão a que nos sujeitas por seres tão bonita, querida Lisboa. Porque mesmo sem brilhos, és brilhante só por existir. E eu, voltava a descer-te lentamente, tal qual os dias em que me passeei por ti, até à margem do rio.

10
Dez21

Aquela saudade

Carolina Novo

Saudades de um bom centro comercial, de ar cansado, barulhos de gente de passo acelerado num entra da loja, sai da loja, numa tarefa árdua de encontrar o presentinho especial. Mas, deixa-me estar caladinha, que eu também lá pus os pés encasacada até ao queixo. É verdade! Pouco me apetecia, sejamos sinceras. Mas foi o "teve de ser". Arrastei-me por aquela extensão de montras iluminadas, decoradas a rigor como dita a época e dei tudo na arte do "despachar o mais possível!". Foi o que fiz, sem conseguir escapar à zona da restauração. A zona de restauração, aquele susto de lugar onde os cheiros dos grelhados se misturam com o sushi, onde os olhos lêem veggie e vegan e um tabuleiro recheado de fast food passa por mim. Sabem, nestas ocasiões até que podemos agradecer o uso da máscara que nos abafa este odores! Olhamos em volta e há quem consiga estar de tablet, enquanto come, no meio daquele caos sonoro e visual. Eu espanto-me, confesso! E foi exactamente essa a expressão que fiz, toda eu espanto, quando ao fim de um bom par de horas para cima e para baixo, ajeita cachecol, desaperta casaco, fecho a porta do carro e só tinha comigo três lembrancinhas. Não me enervo, nem pensar! Só me pergunto, com toda a franqueza, porque é que uma pessoa se mete nestes passeios quando bom, bom mesmo, é comer uma rabanada na consoada, dar uma dentada num sonho, alapar o fofinho no sofá ou desafiar os mais queridos do nosso coração para um jogo à mesa até baterem as doze baladas. Isso sim, é tempo bem passado, é tempo de valor!

Do barulho das minhas pessoas, isso sim, dá-me sempre saudades!

Chega Natal, o bom e o verdadeiro!

 

 

09
Dez21

Quando achava que era tudo, ganhei um tanto!

Carolina Novo

Estou em contagem decrescente para regressar à normalidade que o meu corpo pede. Normalidade, convenhamos. Aquilo que nos é permitido e que, não dando lugar ao medo mas sim ao descernimento, vamos vivendo. Há que ter cautela, que o viajante nato, autor desta grande odisseia de largos meses que já soma não quer largar o osso. E os telejornais dão-lhe tempo de antena do início, ao meio e, terminando com conselhos para todos, ao final também, antes mesmo de se dar lugar à novela que se segue. Eu cá, confesso, tenho preferência por leituras, pela escrita também e, de onde em onde ainda aposto o meu precioso tempo numa série (para as jeitosas que se passeiem por aqui, ponham os olhos na pirosada natalícia Home for Christmas, enroscadas numa manta e, se for do vosso gostinho pessoal, um chocolate quente!). Esta foi realmente a última que vi e, desfocando da pirosice, traz consigo pequenas grandes coisas de que acho pertinente de que se fale, se cultive e, acima de tudo, se cozinhe, em lume brando para que dure e dure. Falo de empatia, de afeto, de amizade, de união e, do ingrediente mais importante de qualquer cozinhado que se faça, ao lume ou junto ao lado esquerdo do peito, o amor. Parece pirosinho, eu sei. Mas a verdade é que me viciei, me enterneci, sorri, revi-me e, contra todas as minhas expectativas, emocionei-me verdadeiramente ao viver deste lado o que a personagem principal ia vivendo. Foi desconcertante para mim chegar ao último episódio e não querer que terminasse, é verdade! Foi absoutamente delicioso encontrar numa série que julgava superficial um bom bocadinho de profundo e, arrisco dizer, tão humano.

Estou em contagem decrescente para regressar à normalidade dos meus dias, depois de uma valente gripe por que passei. Mas isso, são outras histórias. Saio destes dias de molho com uma boa dose de sentimentalismo, um livro terminado, avanços a olhos vistos no gosto que tenho por escrever e ainda no que tinha adormecido por ilustrar. Tirei as aguarelas e os lápis de cor da gaveta ( e tenho a sensação de que alguma criatividade veio finalmente à tona!). E para além de tudo isto, quando achava que já tinha ganho tanto, ainda me dei de comer, a mim e ao meu pai, feito companheiro nesta arte das maleitas dos tempos frios.

Vou regressar com cautela mas com tantas coisas importantes remexidas de que tinha saudade verdadeira.

08
Dez21

Terças que sabem a sexta

Carolina Novo

Apetites por pizza. Daqueles que aparecem sem darmos conta mas que, de repente se instalam e nos põem as papilas gustativas a viajar numa viagem de paladares vários, com base na imaginação. Eram ainda nove da manhã, de aveia pulvilhada com canela à minha frente e já a minha cabeça se ocupava de, num estado de ânsia e emergência, me dizer, por vontades e imagens que passavam pela mente que o jantar, o jantar seria pizza. Não sabia se a iria buscar, toda contentinha ou se ela mesma chegaria a mim vinda de um ziguezaguear de estafeta apressado pelo trânsito citadino.  Ou até, ponderei eu, se me lançava ao esticar da massa, ao corte milimétrico dos ingredientes a lançar sobre a base coberta de polpa de tomate acabadinha de fazer. Se punha a cozinha envolta em cheiros e o meu nariz atento, o ouvido atento também ao som prazereso do contador do forno num "Plim!", e ei-la pronta. Eu não sabia, só sabia que ainda era cedo e eu já me via em desejos. Consigo até ter uma vaga ideia de ter sonhado com o assunto, sabem? A sério! Ponderei até, por meros segundos...Estarei eu gráv....? Nem pensar, disse levando a mão à boca de olhos arregalados. São só desejos, só! A verdade é que naquela terça com sabor a sexta eram sete da noite e o meu paladar saltou de contentamento quando viu no ecrã do telemóvel "o seu pedido foi confirmado" a três maravilhosas pizzas. Trouxeram-se os pratos e à espera juntou-se o balançar da perninha ansiosa pelo toque da campainha. Acredito até que o senhor estafeta chegou a ouvir o compasso do meu coraçãozinho na vontade que tinha de o ver chegar pelo intercomunicador, porque se antecipou. E eu, digo-vos, senti arrepios de felicidade quando as segurei, quentinhas e as destapei, já sob a mesa e lhes senti o cheirinho, agora tão real. Finalmente, senti-lhe o gosto e todo o meu corpo sorriu. Finalmente!

07
Dez21

Pensamentos (des)confinados e uma chávena de chá

Carolina Novo

Tem-me sobrado tempo para pensar no que é que se passa para aqui. Finalmente. Para além da boca mergulhada nos sabores vários dos chás que bebo, dos copos de água que pouco passam da intenção de ser ingeridos, tem-me sobrado tempo para reflectir naquilo que se demora aqui dentro. Assemelho-me aos domingos preguiçosos no gosto do corpo imerso num edredão que aconchega. Sabemos, ainda o dia desperta, que o tempo se vai por entre os dedos - das mãos e dos pés também - , assim o tempo tenha bom paladar e o queiramos vagaroso. Tem-me sido posto à disposição para que pense, pondere, pese o que me leva e o que me traz de bom se me servir dele, disposto numa bandeja coberta por um napron redelhado, como o das avós. Há momentos em que nos são servidas coisas assim e nos é dada a escolha de as saborearmos como se não houvesse amanhã ou de virarmos a cara, como se nos faltasse o apetite. Finalmente dou por mim sentada naquele sofá, de chávena na mão a digerir o me foi dado a degustar. Penso se gosto, sinto-lhe o trave doce, as nuances do amargo também, as texturas diversas. Olho para quem me o serve, naquela bandeja impecavelmente coberta pelo branco cândido do napronzinho que esconde o baço cravado no material. E sorrio, entre um gole de chá e outro. E demoro-me na reacção, demoro-me na boca trancada, sem dizer nada. Como numa manhã de domingo que pede calma, de olhos nos primeiros raios de sol que a janela me traz. Levanto-me, vagarosamente, daquele sofá e saio. Tem-me sobrado tempo para pensar. E para beber chá também.

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  • Carolina Novo

    Muito obrigada pelas palavras Sandra! É sempre tão...

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