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Vem à Janela

Vem à Janela

11
Mar21

As pequenas coisas

Carolina Novo

janela.jpg

No meio do frenesim das pequenas coisas de hoje, lá escapei por entre elas e alcancei a janela. Soubessem vocês a viagem turbulenta para chegar até aqui! A coisa ruim, o papão dos tempos livres e mestre na questão dos afazeres chegou logo pela manhãzinha ainda me ferviam as papas de aveia (com uma colerzinha de mel, sempre, para adoçar as amarguras!). Ora borbulhavam elas, já estava eu telefone numa mão colher de pau noutra, toda lampeira nestas vidas de socialite do ensino nas redes sociais. Já estava lançadíssima no canva (ferramenta bem boa para nos torrar ainda mais toda a constituição ocular!), cores para aqui, elementos para acolá, testes infinitos ao videozinho catita para cativar os meninos. Sim, que no meio de todo o pandemónio caseiro do "Maria anda aqui!"e do "Ó Manel, tô a ir!", as televisões em volumes elevados, os meetings, calls, reunions e interviews via zoom, mantenha-se o gosto e o hábito pela aprendizagem. A mim, soa-me lindamente! Se é viável? Não sejamos gulosos, ai! Não queiramos saber a cor do cavalo branco de D.Sebastião antes de ele chegar, pelo meio da fumaraça, a galope no gastão! 

Provo as papas, docinhas, docinhas. Salta-me a tampa (a da paciência ou falta dela!) quando prevejo complicações nesta arte de ensinos por vias digitais. Dou duas colheradas e à décima, raspado o tacho, arrumam-se os dissabores, digitalmente falando. Que quanto a paparocas, amanhã há mais! Das pequenas coisas de hoje, houve encontro marcado com o deslizamento do ferro sob umas quantas macias e cheirosas que aguardavam, ansiosas, por alisamentos e aquecimentos também. Quarenta e cinco minutos tinha o amontoado organizado, por cores. E eu, estava aquecida para me lançar novamente às lides digitais e às culinárias também. E se houvesse mais alguma pequena coisa a querer meter o bedelho? Viesse também, que hoje é all in!

Na falta dos treinos intensivos do Robson num frente a frente de palavreado de incentivo ao aquecimento e à perda de massa gorda, valham-me estas pequenas coisas, de divisão em divisão! Mas quanto a massas? Já tenho esparguete ao lume!

Que hoje, ditam-se novas regras para as próximas pequenas coisas, para os próximos pequenos passos neste nosso querido des(confinamento). E eu, tenho de estar nutrida, para o lufa lufa que aí vem!

Aguardo por boas novas, à janela.

Carolina Novo

09
Mar21

Mulherio, com todo o gosto!

Carolina Novo

Captura de ecrã 2021-03-9, às 16.22.10.png

Ontem assinalou-se o dia internacional da Mulher. E eu, sendo uma das tantas que desfila por esse mundo fora, tardo-me nas respetivas celebrações de parapeito de janela mas foi com todo o afinque e rapidez que me dediquei a dedicar umas quantas palavras vindas do peito às que me são importantes e estimadas. Mas sublinhe-se! Enviei ontem como enviava hoje, tal como dou tempo de antena de janela aberta, cortina para trás, nestas minhas escritas e partilhas. Não se igualem os acontecimentos, não senhora! Mas na mesma medida, para nos manifestarmos e darmos um murro suave mas assertivo na mesa por aquilo a que temos direito, poderia ser ontem, hoje e amanhã! Seja eu donzela de pé de princesa ou calçando eu uma bela bota biqueira d'aço, tamanho quarenta e cinco. Defenda eu o movimento naturista e me apeteça andar com tudo ao léu ou prefira passear-me em vestidos de lantejolas, langerie elegante e encher-me de purpinas do cabelo aos pés. Posso ainda avançar por caminhos mais formais, preferir o gótico ou ainda mergulhar de cabeça do espírito metaleiro. Isto tudo se não tiver preferência por me vestir com roupa mais máscula, se assim bem me apetecer. Ande eu pelas ruas sem maquilhagem porque a mim as cores me favorecem, ou seja eu bastante apreciadora dos meus eyeliners, rímel, base, blush, tapa olheiras ou mesmo de um belo batôn também! Goste de cabelos longos, curtinhos, rapados até para me dar uma frescura no pescoço, para me poupar o tempo com secadores e apetrechos de cabeleireiro! E se tiver unhas de gel, unhas pintadas de cores berrantes ou mesmo roer a unha do mindinho da mão esquerda onde ponho o cachucho de diamantes que herdei de alguém (coisas de família!)? Vai bater no mesmo ponto de manifestação! Quer seja avogada, padeira, professora, doméstica, engenheira, varredoura de ruas, ministra disto ou daquilo ou esteja ainda a ver o que faça da minha vida, na condição de estudante. Mas uma coisa é certa,  que se bata na mesa seja eu mulheraça ou um tipo de bigode farto ( como mulher que está no seu direito, também me pode apetecer ter barba rija, pêlo na venta!). Que isto no que toca a direitos e revoluções pela conquista dos mesmos, não se vejam os assuntos por quem veste as calças no apartamento ou casa jardim! Estamos em pé de igualdade, calce o tamanho que calçar! 

Ontem, foi só o dia em que as feministas, as trabalhadoras, as de papo para o ar, as mães, avós, filhas e enteadas e todas as outras ( não quero que me escape nenhuma Mulher!) celebraram, num todo, o dia em que outras tantas, há um bom par de anos atrás, arregaçaram as mangas e atingiram os pincaros da falta de pachorra e descontentamento debruçando-se sobre o que deveria ser seu, por direito! Continuemos a debruçar-nos, todos e todas, todos os trezentos e sessenta e cinco dias do ano por aquilo que nos diz respeito e direito, fundamentalmente!

Agora, se me dão licença, porque sou uma: Que nunca nos confinemos nas palavras e nas lutas, nem neste querido nem em nenhum confinamento!

Carolina Novo

 

05
Mar21

Os fins de semana

Carolina Novo

Lagoa de Santo André.jpg

Hoje é sexta, aquele geralmente tão ansiado dia da semana. Dia de laurear a pevide, de ir jantar aos pais ou aos sogros. De sentar o sim senhor numa salinha de cinema e ver a última novidade no grande ecrã, de levar o "Xuxu" ou o "bebé" a jantar fora. Ou ser levada também, seja dada a oportunidade! Aquele fim de mais uma semana, início de dois dias sem fazer nenhum ou a aproximação das tão temidas limpeza da casa, compras da semana, festas de aniversário do miúdos, almoços ou jantar ( ou ambos, porque não!) em família, de calçar o salto alto e agitar a anca no lux, tentar fazer o mesmo no Jamaica e ver a rua cor-de-rosa sem lhe notar o rosa do chão, de tão compostinha que está. O dia em que se abastecia a bagageira do carro e se arejava a casa de férias, quarenta e cinco minutos da capital, beira mar como pano de fundo da varandinha onde preparar as brasas para uma sardinhada. Nestes tempos mais fresquinhos, sacar da lenha ensacada e acender o lume, calçar a pantufa e acertar as contas e as páginas com as leituras adiadas nos últimos quatro dias anteriores. Era uma felicidade a chegada do quinto dia de mais uma semana que terminava. Já se planeava uma ida à costa matar saudades dos claudinos no Capote, ou estender-se o gasto de combustível até Cascais e dar conta de um sorvete na Santini ( marabunta e côco, num copinho sob o balcão) e arejar-se as vestes e os pensamentos numa voltinha junto ao mar. Lavarem-se as vistas nos corpos morenos que desfilassem por ali, nas casitas bonitas e modestas (casarões imensos, uma batelada de dinheiro!) e passar-se assim um sábado em pleno. No domingo, pratadas de comida em família. Um cozido, uma feijoada, uma travessa composta de bacalhau à brás. À noitinha, assentavam-se arraiais uma horinha e picos e já se sonhava com a chegada do próximo quinto dia semanal. Que o primeiro, era maioritariamente o mais temido por todos, um azedar dos feitios, um ajuste novamente dos horários deixados ao deus dará durante os dois dias anteriores. Ao fim de semana? Não há dessas preocupações!

Agora, vocês desculpem-me, mas parece que me sabe tudo ao mesmo! A única coisa que marca a diferença nestes dias de semelhança assustadora é que pelas oito da noite do dia de hoje mato sempre saudades do Robson na marmita que me chega a casa e tenho o descargo de consciência (chego mesmo a emagrecer pelo peso que me sai de cima!) para não fazer a ponta de um corno!

Tirando estes pequenos detalhes? Sabe-me tudo a mais do mesmo, neste querido confinamento.

Carolina Novo

04
Mar21

Temperamentos

Carolina Novo

Ondas.jpg

Dá-te por contente de teres conseguido, nestas mudanças de humor que o tempo tem, acertar exatamente com o momento simpático do dia de hoje, enquanto a chuva não marcava passo acelerado sob as roupas estendidas nos cordéis. Contente foi o sentimento oposto com que fiquei quando pus os olhos, muito abertos, na toalha branquinha e o cobertor já quase seco. Pingavam, os infelizes, largados ali ao abandono, no estendal. Ligeiramente azeda com esta surpresa (ia eu toda lampeira fazer o cafezinho depois de almoço!), ainda me amargou mais a boca quando a vi ali, de olhos postos na desgraça alheia. Ria-se, a descarada. Entre trejeitos de rosto a quem pouco agrada o que se vê obrigada a fazer, estava eu. Janela aberta, rabanada de vento e chuva de recepção. E a toalha ora dançava para a direita, ou fintava-me da esquerda. Ponho na dúvida se dou folga às molas que se o vento muda de feitio bem que me vejo a descer três andares de escadas e ir apanhá-la lá abaixo. Ia, mas ia de má cara, mesmo a máscara me abafa-se a expressão de enjoo. Dá-me náuseas é vê-la ali especada, de assistência aos malabarismos que faço para me poupar ao desgosto de ver, vencida pela intempérie, duas peças cobrirem as outras tantas que já se colam ao chão. Por esquecimento, concerteza! No meu caso, seria mesmo por ter mais do que fazer. Nem que seja o cafezinho! E ela continua, na ânsia de ver como termina este meu episódio à janela. As vistas hoje, não são das melhores, pois está claro! Vale-me as memórias de tempos passados, cabelos colados ao rosto, calça ganga ensopadinha, guarda chuva em constante agitação e eu de passo acelerado agarrava o que restava dele. Na maioria das vezes, perdia aí duas varetas pelo caminho e o que outrora me cobria pendia para um lado, o que mais lhe apetecesse. Era miserável o estado em que o meu visual ficava! Mas até que andava contente, bem vistas as coisas!

Contente continua ela ali, já eu ganhei balanço de peito no parapeito para deitar a mão a ponta tramada do cobertor, indomável. Eis que pior que a chuva, é vermo-nos livres de excessos, isso sim. Vejo-a arregalar os olhos, na minha direção, queixo caído de espanto. Cai-me sob a meia cabeça que espreita da janela o correspondente a dois bandes e meio de água. Um excesso de palavrões que se acumulam nesta minha boca! Fecho a janela e vejo-a ir para dentro, em gargalhadas excessivas.

Dou-me por contente por ainda ter café! Que grande m***a, acabou-se o chocolate, logo agora!

Ah, mas compro amanhã que eu tenho mais do que fazer, neste querido confinamento.

Carolina Novo

03
Mar21

Aniversários, aqui e agora

Carolina Novo

vinhas.jpg

Os aniversários confinados já não são exatamente a mesma coisa. Quando havia aquelas enchentes de dar gosto porta a dentro, ainda estava uma pessoa por se arranjar e por como a ocasião pedia, ainda os pastéis de bacalhau e dúzia e meia de rissóis fritavam ao lume, ainda o dia ia nos inícios e já se pensava nas beijocas repenicadas e os abraços peito com peito que se davam, bem demoradinhos. Aquilo é que dava gosto a malta vestir a última aquisição, apostar num par de brincos a condizer e puxar, puxão moderado, pela caixa dos blush, o lápis preto para dar aquela abertura ocular e passar, num gesto confiante, o rímel pela pestana, alongando-a.  As pessoas, na grande maioria das vezes, confiavam na Adega disto e o Dom daquilo para lhe servir o jantarinho. Mas primeiro, aguaradava-nos o couvert. A saladinha de polvo, os patês assim e os patês assado, o cesto de pão variado, os fritos miniatura (um rissolinho de camarão, um croquetezinho de alheira de caça), umas azeitonas em azeite e ervas. Confiava-se no serviço de sala e na sugestão de vinho servido pelo Fenâncio Gelson, com supervisão do Ramalhete, homem antigo, já prata da casa. Exatamente como as filetes de peixe galo com arrozinho malandrinho, o arroz de pato, tão soltinho que está, o bacalhau com broa ou o polvinho a lagareiro, para os estômagos mais fortes. Em dia de se reunir a família e pôr meio restaurante a trautear a (já sabida na ponta da língua) cantilena do costume, é para comer do melhor e só ser incomodo e ponderado o ato de fuga precisamente no ato de comparência no ajuste de contas.

Agora? Agora começamos por nos certificar de que todos têm acesso à internet à hora da janta. Se não para calores humanos e tão precisos, que nos mantenhamos pelo menos online até ao servir do bolo. O outfit do evento zoom? Pijama para todos. A aniversariante ainda veste uma camisinha de noite, toque acetinado com as temperaturas frescas que estão. Esse tipo de esforços de roupas de calor em tempos de saco térmico? Só quando o Ramalhete dizia ao Fenâncio para correr a buscar o melhor espumante que os copos já ali estavam! Outros tempos, em que se passava frio para se ir em bom. Agora, cantam-se os parabéns de edredon puxado até às ancas. E no que toca à temática dos presentes? Cada um faz o melhor que pode! Uns arriscam no online e das vinte páginas abertas, consideram-se os artigos pelas taxas de envio a que estão e pede-se que lhes chegue a casa, a tempo da ocasião. Outros, optam pelo feito à mão. Isso sim, é um risco! Mas com os sentimentos e as emoções desnutridas como estão, passa a ser tão bom como se nos abraçássemos.

Nesta temática dos presentes, quanto mais à mão, melhor seria. Era sinal que o Fenâncio continuava a levar na cabeça do Ramalhete, que por sinal dava continuidade à boa fama do estabelecimento onde serve, aos anos. As cozinhas voltavam a cheirar a fritos juntamente com os cabelos, as roupas e as peles entre abraços dos que chegavam, já lavadinhos, de última moda da Mango no corpinho, cheiros Dolce&Gabanna no ar. Corríamos às grandes superfícies comerciais, entre multidões de sacos em braços, calores, cheiros e vozes que se sobrepõem mas lá íamos. Para muitos, era como ir ao Solinca dar corpo aos gémeos e relaxamento à mente. A mim, alegrava-me os sentidos! Que eu cá não sou muito de ginásios!

Os aniversários confinados sabem-nos a chamadas telefónicas, a mensagens digitais, a entregas ao domicílio, às velas sopradas com assistência zoom. Não são exactamente a mesma coisa! Mas ainda não deixei de confiar no Fenâncio Gelson para me servir o vinho!

Até desconfinar, vou desconfinando a Adega caseria, com cautela, neste nosso querido confinamento.

Carolina Novo

 

02
Mar21

Domingo, que maravilha de dia

Carolina Novo

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Assuntos de domingo, com ligeiro atraso, que ontem as festas foram outras. Mas já lá iremos, sem demora, que o tempo escasseia-se-nos por entre os dedos (e só temos vinte!) e o calor dos acontecimentos arrefece. Não pode ser! Que o que é bom, quer-se fresco, em primeira mão. Para reaquecimento, já me basta a marmita de hoje, mais daqui a poucochinho.

Pois bem, Domingo, que maravilha de dia esteve! Os estendais pareciam as Zaras, as Mango, as Massimo Dutti, as Benetton, tudo em promoção tal era a paródia de cores, modelos e modelinhos que pingavam dos cordéis. Pingavam sim senhor! Que antes de por o pezinho na rua caiu-me sob o cabelinho acabado de lavar uma gota qual onda da nazaré terminada em espuma no areal. Ai que se há coisa que me desalinha o sistema nervoso é uma pinga gelada assim, a seco! Ainda se fosse de branco, geladinho, acompanhado com camarões tigre e arroz árabe (em boa verdade prefiro o tinto). Mas para pingas geladas, tinha preferência por essas! Já fui incomodada para a rua. E era domingo!

Mas três respirações profundas e foco nas prioridades que temos aí saco e meio de reciclagem para fazer e já estou com tempo contado para me pôr na fila da Padaria Portuguesa. Sim, eu hoje vou lá! E só de pensar, adoço logo o sistema nervoso, agora calminho, calminho por saber onde vou. Mas primeiro, vamos despachar a lixaria. Ainda não tinha atravessado a estrada para o lado certo do destino "amigo do ambiente" e já sentia uma certa dificuldade na entrada do ar nos pulmões. Onde raio ia eu pôr aquela cangalhada toda com o aparato que via, de olho arregalado? Cada contentor tinha uma frente de segurança feita com saquinhos rechonchudos, exactamente como o meu. E o ritmo a que se faz a bendita da reciclagem? Oh meu rico domingo, que findas em sol quentinho pelas cinca da tarde e às quatro ainda estou no contentor amarelo em ânsias para deitar o olho ao azul. Em vez de levarem o conteúdo já todo catalogado, fazem-se as devidas correspondências no local público. E eu que ainda tenho a fila da Padaria para me testar os limites! Aí três quartos de hora depois e abandono o local, direção certeira na montra de bolos. Hoje ainda por cima têm novidades!

Que sortuda que estou hoje nestas andanças de repor os açúcares com bolinho. Mas é Portuguesa, é nacional! Entro e namoro cada um, sem saber o que faça. Só tenho dois bracinhos, mas empilhava caixas e caixinhas (de cartão, que depois eu faço a reciclagem hã!). Há dias em que me apetecia ser molusco, especialmente nestes. Na falta de condições dada a fisionomia, há que fazer escolhas. As queijadas sorriem-se, os palmiers recordam-me a infância, os croissants os pequenos almoços de hotel, que saudades! A minha sorte é o salame estar embrulhadinho em prata porque nos aniversários....Pestanejo e o coração palpita. "Este é a nossa novidade!" e eu que gosto tanto de surpresas, em particular no paladar. Ainda desvio o olhar, faço-me de difícil. Mas há situações que nos desarmam. Os sentidos, a carteira e a tentativa de manter a linha. Que se lixe a linha, é só desta vez. Também, só já havia um! E quando há só um....leva-se!

Já vou na subida, aí uns seis prédios abaixo do meu e temo pela capacidade física de fazer chegar o bolo à mesa, depois do risotto que me espera de almoço. Aos domingos, não há confinamento que abale a necessidade de nutrir o corpinho, o toucinho e a alma também. Há sobremesa, mantém-se a tradição de "almoço de família", que a robustez do bolinho dava para mais três sentados à mesa, à vontade. Assim, é à vontadinha que se come, sem distância de segurança. Em casa, com esta vista plena de planície alentejana adocicada, como duas fatias na carência de uma sericaia com ameixa d'Elvas, em tacinha de barro. Bem vistas as coisas, este também é nacional. Mas aquelas planícies e gentes...!

Contornam-se as saudades e os apetites de novos ares, neste nosso querido confinamento.

Carolina Novo

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