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Vem à Janela

Vem à Janela

07
Abr22

Pensamento artistico plástico

Carolina Novo

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Salpicou-me a pele de tinta fresca. Nas pontas dos dedos, manchas ténues de amarelo torrado, contrastante com o rosado extensível do comprimento dos cinco dedos à palma da mão. No centro, tons verdes claros e verdes mais escuros da tinta corrente até ao pulso. Desenhava-se uma flor de corpo inteiro. Adiei dar-lhe água, só para a conservar. 

06
Abr22

Primavera

Carolina Novo

Saímos de casa. Enlaçados pelos dez dedos das nossas duas mãos que se uniam, mais uma vez, naquele sábado de manhã solarenga, fizemo-nos às ruas daquela cidade. Não da minha, muito menos da que o viu crescer, mas daquela que nos conquista devagarinho e nos prende, nos une de cada vez que nos reencontramos ali. O dia prometia-se cheio de luz e calor e as ruas, essas, apresentavam-se repletas de gente, numa fusão de vozes e sorrisos, de compras madrugadoras levadas em sacos, em carrinhos puxados ao ritmo das conversas. As lojas, já abertas, convidavam a que se entrasse e se percorresse com os olhos os inúmeros artigos em exposição. Mas a vontade ficava-se pelo exterior dos primeiros dias da Primavera que chegava. Sob o esvoaçar das gaivotas e o cantar dos pássaros lampeiros que salpicavam o céu de azul claro, os afectos, os abraços, os beijos demorados, os olhares saltitantes dos rostos aos jogos de cartas nas mesas do jardim por onde passavamos. A fonte ao centro e os bancos em redor escolhidos para descanso dos mais sábios. De passo sem pressa alguma, descíamos as ruas da cidade, sem nunca nos largarmos. E fazíamos das fachadas, das montras envidraçadas espelho da felicidade que nos brota dos poros por nos vermos enfim juntos, por dois dias que sejam. Estava um dia de sol primaveril. E as flores adormecidas no inverno que passara voltavam a abrir-se em milhares de cores, múltiplos feitios, fazendo-nos brilhar os olhos. Mais um sábado a norte, ao encontro do que de melhor a primavera traz. E aqueles dedos entrelaçados também.

25
Mar22

Costuras e Pad Thai

Carolina Novo

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Depois de três voltas aos arredores daquele que seria o local do repasto, estacionei. Já entre suspiros de mal dizer desta Lisboa que se apresenta caótica e lotada nas matérias de trânsito e estacionar, vejo-te de bota na calçada, guarda chuva para protecção máxima deste São Pedro traiçoeiro e já o vejo iluminado, ao longe. Quanto tempo sem te ver, sem me sentar nas tuas cadeiras de madeira e me deixar repousar envolta na tua atmosfera de luminosidade quanto baste, onde as velas dispostas sobre as mesas dão conta do convite meio intimista que nos fazes. Fomos matar saudades. Das pessoas e dos paladares. Da amizade que nos temos e nos junta a cada visita à cidade, das conversas e de sabermos de nós. E por entre uma selecta lista de pratos variados, com cuidados informativos para celíacos, vegetarianos e vegan, saltito do Pad Thai ao Caril Laksa, na certeza de que uma dose de badjias e de chamuças já têm lugar cativo naquela mesinha com vista para o jardim. Mesmo que ao cair da noite pouco se veja, nem só pelo paladar me espanto sempre que regresso. Opto pelo Pad Thai, pousando a ementa sobre a mesa. Dois chás da casa, outro a gosto. Envolvidos nas novidades, falamos dos dias e da vida. Entre goles da bebida quente que nos aquece as bocas, soltamos gargalhadas sonoras já tão antigas na semelhança do trato e da cumplicidade de sempre. Reconforta-se o estômago e o conforto estende-se à alma! Recordas que a distância pouco vinga quando nas linhas em que a amizade se cose pouco há que remendar. E findas as entradas, preparam-se os sentidos para o prato principal. E eis que num aplauso eufórico, as papilas gustativas aprovam a chegada dos múltiplos sabores que trazem à lembrança o gosto que tenho na vontade de voltar, ainda longe de terminar a visita. O doce num abraço terno ao salgado, culminando numa supresa de um picante vincado que, para meu espanto, pouco me limitou em levar a degustação à última garfada. E a conversa fluía, das palavras aos golinhos de chá para aligeirar a leve dormência da língua. Recostamo-nos nas cadeiras, pousando os talheres. Das boas vindas à mousse de chocolate para encerramento. Absolutamente maravilhoso!, este Psi a dois passinhos daqui.

E eu, que não vejo a hora de me voltar a sentar, de frente para aquele jardim, em tão boa companhia como esta, costurando a amizade.

21
Mar22

Um breve regresso ao que já não é

Carolina Novo

Nunca mais lá tinha ido. Àquele lugar de onde guardo umas quantas boas recordações de conversas, gargalhadas, cumprimentos apressados entre os afezeres de cada um, os rostos cansados de tantos outros e a arrogância dos que se tinham por melhores e superiores nos títulos por que se apresentavam, sempre que chegavam. Recordo o som das chávenas sobre os pires ainda quentes saídos da máquina que fumegava, as tostas mistas feitas com cautela e pedidos extra por alguns dos que se achavam nos egos pujantes que tinham. As palavras trocadas na ausência das filas nas horas de ponta, os conselhos apontados na ponta da língua, largados à mínima falha que contrariasse o perfeccionismo dos mais antigos, prata da casa. Ontem, num regresso saudoso ao espaço que partilhámos, revi-te e todas aquelas memórias voltaram por breves minutos. Cumprimentamo-nos em poucas palavras e sorrisos de quem não se vê há um bom par de anos. Passaram-se tantas coisas e tantas outras se confirmaram. Senti a ausência da adrenalina daqueles dias, contrastante com a calma e piada constante com que nos acompanhava. Quantos rostos não vi, julgando-os lá, onde os deixara. Eu estava diferente. Mas o tempo, esse sacana sem lei, também fez por se sentir em ti.

Gostei de te rever mas recordo-te sem te querer viver de novo. Tanta coisa mudou.

17
Mar22

De olhar pela cidade

Carolina Novo

Tenho um gosto particular por me passear pelas ruas, seja de onde for, e observar quem por mim passa. Com quem o meu olhar se cruza e tantas vezes pára, admirado. Sentar-me numa mesa de um café e conceber-me uns minutos que sejam sobre alguém que conversa, alguém que se demora nas páginas de um livro, um jornal que seja, ou a alguém que se dedica, por tempo indeterminado, a dois dedos de conversa boa no balcão da padaria. Aquela de esquina onde também eu, de vez em quando, paro nesse mesmo balcão para comprar quatro bolachinhas com pepitas de chocolate. Sabe-me bem olhar para as pessoas e imaginar as suas histórias e as minhas histórias tendo-as por inspiração constante. A forma como seguram num cigarro e o fumam pausadamente apreciando a paisagem citadina, os carros que circulam apressados, vagarosos também, parando para um breve aceno aos rostos conhecidos. As crianças, pelas mãos dos mais velhos, que saiam a conta gotas da escola na rua sem saída. Um alvoroso de vozes e sorrisos e protestos tantas vezes naquele portão. Gosto particularmente quando me passeio pela baixa da cidade, longe do curso habitual dos meus dias, e a minha inspiração tem tonalidades variadas. Ruas repletas de turistas, sotaques vários, tons de pele, de cabelo e de olhos também que contrastam com o que os meus se habituaram a ver pelas ruas da minha Lisboa. As lojas da Augusta, os cafés da Garrett, o eléctrico que passa e que, se falasse, tantas histórias contaria! subo ao Largo Camões e vejo o Tejo, ao fundo da rua do Alecrim. Recordo, por breves instantes, o meu tempo de estudante. Sorrio e desço a rua, em direcção ao rio. Hei-de me sentar na Ribeira das Naus e inspirar-me nos que passam de mão dada, nos que partilham duas cervejas ao final de um dia cansado, nos que se passeiam de bicicleta, empoleirados numa trotinete do Terreiro do Paço ao Cais do Sodré. Naqueles que pura e simplesmente apreciam a vista para a outra margem, deixando-se estar ali, com os olhos postos nas águas que se agitam à passagem dos barcos.

Tenho um gosto particular em me deixar estar também e contemplar a vida da cidade de Lisboa.

Ou outra que me prenda o olhar tanto como ela, querida cidade.

12
Mar22

Dias demorados

Carolina Novo

Volto àquela rua que nos recebeu, de surpresa. Onde as manhãs muitas vezes se demoravam, os pequenos almoços queriam-se tardios e acompanhados por uma música calma, como os dias de chuva. Recordo os dias de tons cinzentos, de pantufas nos pés, os cheiros das ervas aromáticas, o queijo que derretia, lentamente, sobre o tabuleiro. O borbulhar da polpa de tomate caseira, miminho da mãe, e os ingredientes que se envolviam e nos faziam crescer água na boca, ansiosos pelo partilhar da refeição. Entertinhamo-nos com um filme dos tantos que coleccionávamos para ver enquanto a pizza ganhava consistência. Havia dias que arriscávamos nas pipocas até para acompanhamento! Volto a esses dias preguiçosos e ao cheiro do incenso que ardia, vagaroso, tal como nós, misturado com os múltiplos chás que fazíamos. A nossa casa repleta de aromas variados. Volto a esses dias, esses meses felizes com nostalgia. Mudámos de rua, mas nunca no vagar com que nos dedicamos. Bebo um gole de chá e ouço o jazz enquanto chove lá fora. 

07
Mar22

Primeiro as senhoras

Carolina Novo

“ Primeiro as senhoras!”, disse-me, baixando levemente a cabeça, dando-me prioridade à passagem. Ele, novamente. O mesmo chapéu escuro de todas as noites cobria-lhe o rosto, reservando-lhe a identidade. Era alto, elegante e vestia uma camisa impecavelmente engomada que lhe assentava tão bem. Na boca, um cigarro. Acompanhei-lhe o andar confiante. Parou no balcão, como sempre. Do bolso das calças que trazia ergueu a mão mais bonita que já vira e fez sinal ao garçon. Um gin. Entre o sorver da bebida, uma passa no cigarro pendente entre os dedos esguios. Observo-o, contemplo-o, fixando-lhe todos os pormenores que a luz baixa me permite. Quero saber-lhe o nome. Sentir-lhe o cheiro da pele, do perfume. Quero ouvir-lhe a melodia das palavras na voz grave que tem. Quero-o.

Cruzo e descruzo as pernas, nervosa. Quero que note em mim. Olho a noite escura. De fundo o murmurinho das conversas, os cheiros das fragrâncias que se misturam. As luzes baixam. Silêncio. Ouvem-se os primeiros acordes do acordeon. Vejo-o, nos passos graciosos com que se move. Uma mulher morena, de vestido vermelho levanta-se e ele olha na sua direcção. Estende-lhe a mão e recebe-a nos seus braços, afagando-lhe o rosto próximo do seu. Ciúmes. Sinto ciúmes como se fosse meu. Juntos, são um só e dançam como se flutuassem. Num gesto tão delicado ele segura-a, olhos nos olhos. A música termina. Afastam-se.

O garçon aproxima-se. Sobre a minha mesa, um gin. Um bilhete perfumado. As palavras dele.

A mulher morena sai. E eu também.

28
Fev22

Domingo na Luz

Carolina Novo

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E se fôssemos ver o Benfica à Luz?, disse-me já passava das onze. Julguei que fosse do sono, um saudosismo repentino que lhe dera pelas ruas de Lisboa por onde caminhávamos, os três. Para minha surpresa, voltou a lançar a proposta sobre a mesa. Aceitei, sem mais demoras! O final de tarde de domingo seria diferente. Seria na Luz!

Éramos quatro, mas as sacanas das alergias desta metereologia indecisa com que andamos resolveram trocar-nos as voltas. Passámos a três. Tirámos o pó aos cachecóis e de emblema debruçado sob o peito, fizemo-nos ao estádio. Ainda mal acreditava no que estava a acontecer, confesso. Ir ao estádio da luz com o meu pai era quase que um regressar à infância, à sensação de ser pequenino e de tudo parecer enorme. É um recordar das tantas vezes que ficava eufórica quando me levava pela mão para ver o glorioso. É muito mais do que uma ida ao futebol, o vibrar com os cânticos em uníssono pela claque daquele que me é querido desde cedo. Vai para além do salto, gritando um tão ansiado "Golo!!" por cada remate certeiro à baliza do adversário ou do olhar baixo na perda de oportunidades. É a oportunidade, sim, de voltar ali, pela mesma mão de sempre. O partilhar noventa minutos de um domingo que se julgava comum a tantos outros e matar saudades de erguer as mãos ao alto, juntos, numa alegria imensa, rindo até de quem protesta ao lance mal marcado, à falta por sinalizar. Voltar à Catedral, como fervorosamente lhe chamam, é recordar uma felicidade genuína de criança, sentir uma emoção que não se explica, que só se agradece.

De olhos postos, presos naqueles truques e fintas, vi o nosso Benfica fazer bonito, num número perfeito. Vi o elevar das bandeiras, agitando-se, bem alto, envoltas numa maré de cachecois irrequietos, por entre as vozes que não se calam. Deixei que a emoção tomasse conta de mim, à flor da pele sentida, ao ver num gesto a solidariedade de um povo, as cores do azul e amarelo polvilharem as bancadas e a plateia de pé num aplauso dedicado. Porque não nos toca na pele mas toca-nos, a cada dia que passa, na alma.

Este domingo fui à Luz em família, de coração quente. E naquele instante de noventa minutos fui imensamente feliz.

24
Fev22

A Lanchonete, por acaso

Carolina Novo

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Deu-se o acaso de passar naquela rua e da curiosidade a levar além daquilo a que se tinha proposto fazer. Ia só comprar uma folha para um pedido especial, uma aguarela feita à medida e com toda a dedicação. E os minutos, esses malandros, quiseram que fizesse tempo até que as portas da loja predilecta se abrissem a público. Prolongou-se pela calçada que ditava o destino, porta adentro sem hesitação, por entre aquele novo espaço que abrira e lhe abrira o apetite por se sentar numa mesinha e percorrer com o olhar a ementa entre os doces e os salgados. A Lanchonete, apresentava-se assim. Pouco se demorou na escolha, assim que o viu, com vista privilegiada para a rua, sorrindo a quem passa. Numa redona de vidro, junto à máquina do café e aos brigadeiros e beijinhos, pequeninos de estatura, compactos no sabor original, lá estava ele. Sorriu e fez o pedido, batendo o pezinho discreto ao som da música ambiente, recordando o sotaque que lhe ficava inevitavelmente no ouvido, todos os dias. Sorriu ainda mais, com os lábios e o coração também. 

E os olhos brilharam, sem discrição alguma, levando-o cuidadosamente para uma mesinha. Aquele bolo de cenoura e brigadeiro cumpria com aquilo que, sem saber, fez por precisar naquele momento. Ao tempo que se imaginara ali. Finalmente. E na primeira garfada soube que o destino fora certeiro e carinhoso. Aquele bolo estava absolutamente maravilhoso! Entre sorrisos, num silêncio contemplativo e de verdadeiro deleite, deu duas mãos cheias de garfadas, lentas, e deu por encerrado o banquete. Quis pedir outra, sim! Mas, se por acaso ou por decisão prévia a coisa se der, sabe que pouca distância haverá entre esta e a próxima vinda. Saiu, de coração quentinho.

23
Fev22

Histórias de café

Carolina Novo

Sentou-se na mesa do café, pousando a mala na cadeira mesmo ao seu lado. Acordara sonolenta, preguiçosa nos gestos, nas palavras também. Nas mesas vizinhas poucas pessoas se viam. Um senhor que sorvia uma meia de leite intercalada com pequenas dentadas numa torrada, pão saloio por escolha, enquando folheava concentrado as páginas de um jornal. Duas mesas à sua frente, uma rapariga que aparentava ter os seus vinte e poucos anos olhava o movimento de mais uma manhã que chegava. Na mão, uma pequena chávena de café que bebia em pequenos golos, consultando de onde em onde o ecrã do telemóvel. Parecia ansiosa. Deixou-se estar, recostando-se na cadeira. Passou a mão pelo cabelo ainda húmido. No ar, um cheiro de pão torrado e café acabado de tirar abriam-lhe o apetite. Um chá, meia torrada e um livro sobre a mesa que tirara num gesto rápido do interior da sua mala. Que a leitura do costume não se tomasse por vencida pelo sono das primeiras horas da manhã. Para ela, todos os dias começavam por palavras. Se não faladas, que lidas numas quantas páginas que a faziam imaginar personagens, cenários vários, sentindo-se parte duma história que não era a sua. Sob a mesa, um chá fumegava e cuidadosamente, sem desviar a atenção do que lia, dava o primeiro gole, presa pelos diálogos e as descrições. Há histórias que nos prendem a atenção e os sentidos também. Por momentos, parecia-lhe sentir os cheiros para lá das palavras, o tom das vozes de quem conversava, se conhecia ou se reencontrava no tempo que aquele livro lhe oferecia. E sem desviar o olhar, comia a torrada, no seu tempo.

Pelos passeios, havia quem se passeasse sonolento. Outros que, de passo acelerado, não tinham tempo a perder. Ouvia-se o murmúrio de quem, no seu vagar, se demorava em conversas estendendo-as à mesa do café servido em chávena escaldada. A conta, por favor. Terminou o chá e a torrada também. Só a leitura merecia que o tempo não tivesse fim. Estava com tempo.

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  • Carolina Novo

    Muito obrigada pelas palavras Sandra! É sempre tão...

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